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05/09/2017
Você está disposto a pagar o preço?
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          Dentro de uma gaiola vivia um pássaro. Sua vida era tranquila e segura, embora monótona. Ele não corria risco nenhum e alpiste e água limpa nunca faltavam. Não havia muito o que fazer na gaiola, a não ser comer e dormir. De vez em quando alegrava seu dono com um maravilhoso canto. O pássaro recordava o dia em que, enganado, caíra na armadilha. No começo debatia-se, feriu-se até e recusava comer. 
            Aos poucos foi se acostumando e até descobriu vantagens no cativeiro, especialmente a farta comida e a segurança.  Um dia seu dono descuidou-se e deixou a porta da gaiola aberta. Trêmulo, sem acreditar na própria sorte, ganhou a liberdade. Teve alguma dificuldade em voar mas conseguiu alcançar o galho de uma árvore, carregada de doces frutinhas vermelhas. Também ali estavam gordos e descuidados insetos.
Logo algumas sombras toldaram sua liberdade. A noite chegaria e ele não tinha onde dormir. Poderia ser vítima de alguma ave de rapina ou do gato de olhos maus que sempre rondava a gaiola com péssimas intenções.
            Viu que a porta da gaiola estava aberta. Era sua chance e, rapidamente, retornou à prisão e acomodou-se em seu poleiro. O fato foi notado pelo dono que comentou: passarinho bobo!  Será que ele não viu a porta aberta? Ou - quem sabe - deve ser cego!  E   trancou novamente a porta da gaiola.
Esta pequena história é uma das tantas deixadas pelo saudoso Rubem Alves. Ela retrata duas mentalidades, dois estilos de vida. Há os que preferem a segurança e o alpiste da gaiola e suas vidas transcorrem na monotonia, sem sonhos e desafios. O segundo grupo jamais se conforma com os limites. Não se contenta com o mínimo, quer o máximo.
O pássaro da gaiola optou pela zona de conforto. Não quis pagar o preço da liberdade. Abriu mão da festa das árvores floridas e cheias de frutas, dos espaços do céu, das surpresas que poderiam acontecer. Optou pelo alpiste do comodismo. Ele desconheceu suas imensas possibilidades. Essa gaiola simbólica tem nomes: medo, preguiça, omissão.
 Francisco de Assis, Teresa de Calcutá, Luther Martin King, João XXIII, Cristóvão Colombo e tantos outros pagaram o preço e seus nomes figuram para sempre na história. Dos que preferiram a comodidade, nem sequer sabemos seus nomes.
Frei Aldo Colombo.