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05/12/2017
Tente olhar por outra janela
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           A menina - seis anos - inconsolável   olhava para um canto do jardim. Copiosas lágrimas brotavam de seus olhos, enquanto o jardineiro sepultava seu cachorrinho. Era seu parceiro inseparável, na partilha das brincadeiras e dos afetos.  Sentia-se infeliz e o mundo não era mais um bom lugar para morar.
            A avó afagou a cabeça da menina e isto fez com que seu choro aumentasse. As lágrimas, aos poucos, foram secando. A avó falou do pequeno animal e seu sofrimento. Nos últimos dias. Sua morte fazia parte das perdas normais na vida humana. Depois, com ternura e firmeza, tomou o braço da menina e pediu: venha comigo!  E levou a criança para outra janela.
            Correu a cortina e lá estava o jardim e bem no centro uma roseira com dezenas de rosas amarelas. As abelhas e borboletas sugavam o mel das flores e os pássaros saltitavam em seus ramos.
Você lembra o dia em que plantamos uma pequena haste, cheia de espinhos? A menina lembrava.  Havia poucas esperanças que o pequeno ramo sobrevivesse. Mas contrariando as probabilidades, cresceu e estava coberto de coloridas e perfumadas flores.
Assim é a vida, explicou a avó. Não existe uma só janela pela qual possamos ver a realidade.
Há janelas que se abrem para o passado, que não podemos modificar. Mas há janelas que se abrem para novas possibilidades e surpresas. A vida é curta demais para ser gasta olhando para o que não deu certo. Há janelas   que se abrem para a festa e para o imprevisto.  Há a janela do sofrimento, mas há também a janela da alegria e da superação. Não há noite que não termine, nem inverno que jamais acabe.
            O Evangelho ensina a olhar a vida por outra janela. O amor de Deus é maior que o pecado, a vida triunfa sobre a morte, a Sexta Feira Santa é substituída pela manhã da Ressurreição.
 Ali, quando as limitações humanas parecem definitivas, surge o milagre da graça. É a história do grão de trigo, que passa pela solidão, pelo frio, pela escuridão da terra, mas que um dia explode no milagre da vida que se renova.
            Nas situações limites podemos sempre proclamar: a última palavra ainda não foi dita. E por isso devemos fechar a janela da limitação humana, de todos os tipos, e abrir a janela da esperança. Por vezes nos fixamos na janela da tristeza e a mão do Pai nos conduz para a outra janela, que se abre para o infinito.
Você está sendo visto pelo Pai e por isso - mesmo entre lágrimas - sorria.  Mesmo que o teu coração te acuse, sorria, Deus é maior que o teu coração.
            Frei Aldo Colombo.