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Mensagem da Semana

QUEM É O CULPADO?

A escritora francesa Simone de Beauvoir conta a história de uma mulher infeliz, devido aos maus tratos que sofria da parte do marido. Por esse motivo, ela arranjou um amante. Para se encontrar com ele, tinha duas alternativas: a barca e a ponte. Ela evitava a ponte, porque nas imediações residia um perigoso assassino.

Certo dia, ela demorou-se   mais na casa do amante e, quando chegou ao rio, o barqueiro recusou-se transportá-la porque seu expediente terminara. A mulher, então, pediu ao amante para que a acompanhasse até a ponte, mas este alegou cansaço e recusou-se a acompanha-la. Sem alternativa, a mulher resolveu ir sozinha e foi assassinada.

Simone de Beauvoir pergunta: quem é o culpado? As alternativas são muitas. Uma delas é o marido que maltratava a esposa. Isto a levou a praticar a infidelidade, provocando sua morte. Outra aponta o barqueiro burocrata, insensível à necessidade de alguém. O amante também pode ser apontado, pois foi egoísta, incapaz de retribuir o amor gratuito da mulher. A própria mulher adultera pode ser responsabilizada, pois foi ela que construiu o cenário de sua tragédia. Em geral, as pessoas apontam esses culpados e esquecem o verdadeiro assassino

Todos somos especialistas em desculpas. A culpa é sempre dos outros: o marido, a esposa, o padre, o vizinho, o sócio, o governo, a oposição, os pais, os filhos... Nesta história desconhece-se o nome do assassino, mas sabemos que todos, de alguma maneira, se omitiram  e foram responsáveis pela morte da mulher: o marido, o amante, o barqueiro e a própria mulher. Daí surgiu o verdadeiro criminoso.

Nossa vida é feita de escolhas e a escolhas têm consequências. A mulher, ao trair, fez uma escolha arriscada. Ela construiu sua história. Depois vieram os outros. Mas os outros também escolheram e escolheram mal. Nós não somos ilhas e dependemos uns dos outros. Ao procurar os culpados de nossos fracassos, devemos, em primeiro lugar, olhar para nós mesmos. Todos os nossos atos são nossos. Nós somos o responsável primeiro por eles. Nossas escolhas foram feitas por nós. Felizmente, nossas escolhas – quase sempre - podem ser mudadas. As escolhas que valem são as que fazemos hoje.

Frei Aldo Colombo

Mensagem da Semana

Para Todos UMA SENHA: UBUNTU

Um antropólogo foi estudar usos e costumes de uma tribo africana. No final, fez uma brincadeira: colocou um cesto cheio de doces debaixo de uma árvore. Depois reuniu as crianças e propôs uma corrida: quem chegasse por primeiro ficaria com todo o cesto.  Os olhos daquelas crianças brilharam.

A crianças se alinharam e antropólogo deu o sinal de partida: um, dois, três e já! As crianças se deram as mãos e proferiram uma senha: Ubuntu. Depois, com tranquilidade, caminharam em direção ao prêmio e todas colocaram a mão no cesto, ao mesmo tempo. Depois, felizes, festejaram o prêmio, do qual ninguém foi excluído.

Ubuntu representa a ética deste povo. Significa: sou quem sou porque somo todos nós. Resumindo: Todos juntos. Elas demonstraram que sua tribo – considerada selvagem e primitiva – professava uma ética bem superior aos considerados civilizados, com seus milagres técnicos. Ninguém pode ser feliz sozinho. Conhecendo ou não São Francisco, aquelas crianças proclamaram, pela suas atitudes, que o outro, a outra, são irmãos. Elas levam a um profundo exame de consciência ao nosso tempo, marcado pelo egoísmo, ganância e concorrência. Fazemos de conta que o outro é um concorrente.

Muitas vezes repetida, mas pouco praticada, a frase de Thomas Merton proclama: Homem algum é uma ilha. Se um grão de areia cai no mar, o continente fica menor.  A injustiça cometida contra qualquer ser humano afeta a todos. Não somos ilhas, dependemos uns dos outros. A tempestade que assola o mundo hoje – Covit 19 – mostra isso. O escritor Ary Fontoura define o momento atual: “somos pequenos demais e absolutamente frágeis” A atual Pandemia precisa ser entendida como um dos “Sinais dos Tempos”. A História é Mestra da Vida, mas suas mensalidades são caras. Seria lastimável se não aprendêssemos a lição.

A filosofia Ubuntu recorda as palavras do líder indiano Mhatma Gandhi: “Cada dia a natureza produz o suficiente para nossas necessidades; se cada um tomasse o que fosse necessário, não haveria pobreza e ninguém morreria de fome”. O Evangelho ilumina: “Um só é vosso Pai e vós todos sois irmãos” ( Mt 23,8)

Frei Aldo Colombo

Mensagem da Semana

A matemática do Tempo

A pandemia Coronavírus  veio desestabilizar toda  a vida individual, familiar e social. O fator tempo não ficou fora desta tempestade. Antes não tínhamos tempo para nada, a agenda era maior que nossas possibilidades. De repente nos damos conta de ter todo tempo e nada para fazer.

A matemática revela que um cidadão comum – em média – trabalha 1.784 horas anuais, algo parecido com cinco horas diárias, descontado férias, dias santos e outros dias não trabalhados. Contrastando com estas cifras, o cidadão ocupa 3.354 horas anuais com o lazer. Das 8.760 horas do ano, cerca de  2.920  horas são gastas com o sono, 584 com as refeições e 154 horas – sempre em média, adoentados. Resumindo: nove horas de cada dia são ocupadas pelo lazer ou descanso, oito horas dormindo, cinco horas trabalhando, uma hora e meia comendo e bebendo e a doença consome trinta minutos em média.

Gastando o tempo de modo dispersivo, todos reclamamos com a falta de tempo. Na realidade, todos temos o mesmo tempo do Papa, do Presidente, do motorista, do médico, do porteiro e da dona de casa.  A distribuição do tempo fica por nossa conta.  Para o executivo, para o líder político, para om operário, para o santo, o dia tem 24 horas  e a hora 60 minutos, a semana sete dias. São, portanto, 168 horas semanais, fatiadas em 1440 minutos.

Na matemática do tempo – por um esquecimento significativo – não entram as horas gastas com os outros, nem os minutos dedicados a Deus. Será justo usar o tempo apenas em nosso próprio benefício?  E Deus, que nos dá todo tempo, ficar sem  nada.

Os gregos davam ao tempo dois nomes: Cronos e Kairós. Crônus era o tempo comum, o tempo do calendário, dos anos, meses e dias. Já o Kairós era o tempo de Deus, a passagem de Deus pela nossa vida.

O tempo, que nos é dado como presente, nos será cobrado um dia. A lenda grega conta a história da Esfinge de Tebas, imortalizada por Sófocles em  Édipo Rei.  A Esfinge desafiava os passantes: decifra-me ou eu te devoro. Se não conseguirmos interpretar corretamente o tempo, ele nos vai devorar.

Um minuto diário de oração dá sentido aos  1.440 minutos de cada dia .A vida tem prazo  de validade. Sem prorrogações. O Tempo de Deus é agora.

Frei Aldo Colombo

Mensagem da Semana

O MEDO DAS SOMBRAS

Um marajá do  Oriente possuía um diamante de imenso valor. A joia estava guardada dentro de uma redoma, numa vitrine. A poucos era dado o privilégio de ver a pedra preciosa. Um dia, um príncipe, ao  ver de perto o diamante, percebeu que existia nele uma rachadura. O fato deixou o marajá abalado, convencido que seu tesouro perdera o valor.

A partir daí sugiram muitas opiniões em relação ao fato. Alguém sugeriu que o diamante fosse colocado na vitrine, num  ângulo  favorável, para que o defeito não fosse notado. Um Ministro sugeriu um inquérito para encontrar o culpado  pelo problema. Um velho e sábio conselheiro disse possuir uma maneira ideal para  resolver o problema. A sugestão foi aceita.

Passados dois meses, com o auxílio de um ouríves, a obra  foi concluída e apresentada ao marajá. Numa bandeja, coberta de veludo, estava o diamante. Na rachadura, o artista fizera o caule de uma rosa esplêndida, que gravou com fios de ouro.   A rachadura não era mais notada e a joia  cresceu em seu  esplendor.

Nas primeiras páginas da Bíblia encontramos o episódio da maçã  proibida e a pretensão de Adão em ser  igual a  Deus. Adão não admitiu sua falha pois pretendeu ser perfeito. Mesmo assim foi esconder se do olhar de Deus. A culpa e a vergonha não vêm de Deus. Dele vem a capacidade de recomeçar.

Negar os próprios defeitos, as culpas, é a tentação que persegue a humanidade. Existem em todos nós, humanos, sombras que tentamos ignorar.  Ai surge a tentação de   esconder essas sombras. A atitude inteligente é aceitar e harmonizar estas sombras e construir sobre elas como o ourives.  Ninguém de nós pode considerar-se igual a Deus. Precisamos assumir nossas limitações, nosso pecado. Precisamos perdoar-nos a nós mesmos. Só assim teremos paz.

O erro, uma vez acontecido, deve ser um novo ponto de partida e aprender com ele. Precisamos dar os nomes às nossas sombras e não negá-las.  Os  velhos filósofos escolásticos diziam: o que não é admitido não é redimido.

Ninguém de nós pode voltar ao passado e refazer uma história diferente. Podemos, isto, sim, começar hoje e construir a história que queremos. Com o mesmo começo, podemos construir o fim que desejamos.

Frei Aldo Colombo

Mensagem da Semana

Maria, mãe de Jesus e nossa mãe

A devoção mariana faz parte da identidade católica. É quase impossível encontrar um lar católico sem uma ou muitas imagens, ou gravuras, da Mãe de Jesus e nossa mãe. Não se trata de superstição ou idolatria como acusam alguns cristãos de última hora. O próprio Lutero, de quem procedem as centenas de   confissões   e seitas evangélicas, tem palavra de grande admiração por Maria.

A teologia católica sobre Maria baseia-se nas monumentais páginas do Evangelho de Lucas. Ela é a “mãe do meu Senhor”. Todas as gerações a proclamam bem-aventurada, cheia de graças. E Lucas usa o mesmo adjetivo para Jesus e para Maria:  bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre (Lc 1,42)

Também o evangelista João contribui para a piedade mariana. Na hora da redenção da humanidade, na agonia do Calvário, Maria – a mãe forte – mantinha-se de pé. E Jesus disse a João: eis ai tu mãe e a Maria, eis ai teu filho.  “ E, a partir daquela hora, o discípulo levou-a para sua casa”. (Jo, 27)

Maria esteve presente nos momentos mais difíceis da primeira comunidade: fuga para o Egito, Bodas de Caná e na Crucificação de Jesus. Ela só deixa de aparecer com a vinda do Espírito Santo.

As primeiras comunidades cristãs e os Santos Padres foram unânimes no louvor de Maria. São 15 séculos de riqueza mariana antes dos “reformadores”. Para os católicos, Maria não é um a finalidade em si mesma, mas o caminho que leva a Jesus. É um Ostensório maravilhoso que carrega o Cristo.

O Papa João XXIII afirmava que a recitação do Rosário era uma maneira muito feliz de ler a Bíblia. Tudo que é do Terço é evangélico: o Pai Nosso, a Ave Maria, o Glória e os diferentes mistérios. São rosas – rosário – que os filhos entregam à Mãe Maria.

Quando falta a mãe, por qualquer motivo, nenhuma família é feliz. Nós, católicos, temos a infinita alegria de ter uma mãe, cheia de graça, de ternura e misericórdia. Sobretudo nos momentos mais difíceis, os filhos sentem tranquilidade junto à mãe. E Maria continua, hoje, a repetir o pedido feito em Caná: “ Fazei tudo o que Ele – Jesus – vos disser“ (Jo 2,5) Com isso haverá festa, haveria alegria, haverá o bom vinho da salvação até o fim.

Frei Aldo Colombo

Mensagem da Semana

Feliz Natal e abençoado Ano Novo

Quando mais um ano se aproxima de seu fim, o Natal desperta em nós o que existe de melhor. Não pode haver tristeza quando Filho de Deus vem morar conosco.

A equipe sacerdotal – Paróquia de São Pedro – quer agradecer todas as coisas bonitas que aconteceram neste ano. Muitas mãos, muitos corações, muitas equipes, construíram mais um capítulo de nossa centenária caminhada de Fé. Leigos e Leigas em missão, como Sal e Luz, escreveram mais uma página de uma bonita história de Fé e solidariedade pelo Reino, na família, comunidade e sociedade.

Contamos com todos para o ano 2019: Cristo convoca e envia para a Missão.

Um abençoado Natal e Feliz Ano Novo!

Frei Jadir Segala, Pároco.

Mensagem da Semana

Março com São José

Algumas entidades iniciam oficialmente seus trabalhos em março. No Calendário, março é o 3° mês. No tempo do ano transcorreu a 6ª parte. Na Liturgia da Igreja está em andamento a Quaresma, espaço de quarenta dias em preparação à Páscoa, dentro do qual também é proposto o tema da Campanha da Fraternidade, neste ano, “Fraternidade e Superação da Violência” com o lema: ”Somos todos irmãos”.

Em março, entre outros eventos significativos, é lembrado São José, esposo de Maria e pai adotivo de Jesus Cristo (O mês lhe é consagrado e o dia 19 é sua festa litúrgica). Muitas comunidades o tem por padroeiro e muitas pessoas lhe levam o nome. São José dá nome a cidades, regiões, escolas, clubes, associações, institutos religiosos (como é o caso das “Irmãs de São José”, presentes em Garibaldi e em muitos lugares e países).

Pessoa simples, humilde, de pouca história, mas a quem foi confiada a importante missão de zelar pela vida humana do Filho de Deus. Poucas referências bíblicas sobre sua pessoa, levando em conta a grandeza da tarefa a ele confiada. Mas muito amado por Deus de quem mereceu total confiança, pela Igreja que o declarou seu Padroeiro, pelos devotos de todos os tempos e em todos os lugares.

“Homem justo” é o título que lhe confere o Evangelho. Que ele inspire na sociedade de hoje o senso de justiça, de respeito, de fraternidade, de busca da superação da violência com a arma do amor.

  1. José traga para as famílias de hoje o clima da família de Nazaré, harmonia familiar, compreensão, perdão, oração, confiança na providência divina, trabalho solidário, trato social honesto, acolhida alegre do chamado de Deus para colaborar na construção de um mundo mais irmão, que prepara o reino definitivo e perfeito.

Frei Celeste José Conte

Mensagem da Semana

Combater a Indiferença

A campanha da fraternidade deste ano convoca a comunidade a fazermos ações para superação da violência. Um dos nossos desafios será extinguir do meio da comunidade a indiferença com o sofrimento dos pobres, talvez essa seja uma das maiores violências sociais Papa Francisco lembra, “Precisamos de nos deixar renascer, e ultrapassar a indiferença que bloqueia a solidariedade, ou deixar para trás a falsa neutralidade que impede a partilha”. Somente com a sensibilidade ao sofrimento de meus irmãos seremos mais fraternos e solidários. Diante do monstro da miséria, injustiça e violência, é necessário construir um mundo mais justo e fraterno, para que cada pessoa possa viver na paz e harmonia com a criação. O combate a violência começa na nossa maneira de entendermos a miséria humana e nós colocarmos a serviço da vida.

Frei Jadir Segala.

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